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Foto: Carlos Lopes
O estudo indica que as consequências negativas estendem-se ao ecossistema que vai da serra de Grândola até à faixa costeira lagunar

Linha férrea Sines-Grândola é "atentado ecológico"
29.10.2009
Carlos Dias

As câmaras de Santiago do Cacém, Grândola e Beja apresentaram ontem o estudo prévio sobre o traçado alternativo à Ferrovia Relvas Verdes-Grândola Norte, elaborado por uma equipa do Instituto Superior Técnico (IST), documento que classifica o ramal proposto pela Refer de "atentado urbanístico e ecológico" ao cortar a ligação funcional entre Santiago de Cacém e Santo André e afectar o Badoca Safari Park, o Hospital Regional e uma área com cerca de 500 hectares de encosta voltada ao mar.

Segundo este estudo prévio, que será um novo passo na escalada da contestação ao traçado ferroviário ao propor um traçado alternativo, da autoria do professor Costa Lobo, as consequências negativas resultantes da ferrovia Relvas Verdes-Grândola estendem-se ao ecossistema que vai da serra de Grândola até à faixa costeira lagunar, "constituindo uma barreira muito negativa, para além de destruir áreas de pinhal e de montado" .

Aquele estudo diz que é "imperioso" encontrar uma segunda alternativa de ligação Sines/Ermidas-Sado, através da serra de Grândola, que implica a construção de um túnel com 1,7 km, sugere o documento elaborado pela equipa do IST.

A solução proposta avança, para além da construção do túnel, a instalação de 15,5 km de nova linha e a beneficiação numa extensão de 18,4 km da linha já existente no ramal das Ermidas-Sado. Esta alternativa "causaria impactes ambientais muito menos gravosos", para além de ter, comparativamente com a proposta da Refer, uma "extensão menor" e custos de minimização de impactes ambientais e urbanísticos "mais reduzidos", sustenta a nota do IST.

O custo do traçado Sines/Ermidas-Sado ascenderia aos 100 milhões de euros, o que representa menos 70 milhões de euros em relação à solução da Refer. Esta garante que a alternativa por Ermidas é mais cara. Contudo, fica a disponibilidade do director de construção da empresa responsável pelo projecto de "sensibilizar" a sua administração para a necessidade de serem apreciadas "outras alternativas".

  
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