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Foto: PÚBLICO
Neste século, a população rondará os nove mil milhões de pessoas, todas procurando um elevado padrão de vida

Especialista diz que será preciso uma “revolução” para lidar com aumento populacional
27.10.2009
Lusa

O especialista em Ambiente David King defendeu hoje, na Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, que vai ser necessária uma transformação cultural e tecnológica global semelhante à Revolução Industrial para responder aos desafios colocados pelo crescimento exponencial da população.

“O século XXI será dominado pelos desafios colocados por uma população que rondará, em meados do século, os nove mil milhões de pessoas, todas procurando um elevado padrão de vida”, afirmou o director da Smith School of Enterprise and Environment, da Universidade de Oxford, na conferência “O Ambiente na Encruzilhada - Por um futuro sustentável”.

Para David King, as alterações climáticas representam o maior desafio de todos, uma vez que requerem uma resposta colectiva da população global para mitigar o efeito e para gerir os crescentes impactos nas sociedades.

“Os desafios sócio-políticos para dirigir tal resposta colectiva estão para lá de qualquer coisa anteriormente gerida. Isto pode bem conduzir, em meados deste século, a um deslizar para o conflito, causado pelos desafios de origem ambiental e de recursos a uma escala nunca antes experimentada”, sublinhou.

David King disse ainda que “os ecossistemas, um elemento essencial para o nosso bem-estar continuado como espécie, estão já ameaçados, enquanto a nossa necessidade de produção alimentar, água fresca, fontes de energia, minerais, etc, cresce exponencialmente em resposta a uma procura ilimitada”.

Para responder a estes desafios, David King defendeu a necessidade de “uma transformação cultural e tecnológica global a uma escala muito semelhante à da Renascença europeia ou da própria Revolução Industrial e um claro entendimento por todas as sociedades da necessidade de adaptar e reforçar os processos de governação global”.

“Tendo em vista o conhecimento actual, devíamos ter uma ligação entre os decisores políticos e as pessoas que detêm o conhecimento, como os climatologistas e sismólogos para minorar os riscos para a sociedade”, defendeu David King na conferência, que decorre hoje e amanhã na Gulbenkian.

Por outro lado, defendeu ainda, as novas tecnologias devem ser utilizadas na agricultura para produzir culturas resistentes às secas e às cheias. “As estimativas para os próximos 20 anos indicam que temos de produzir mais 50 por cento de cereais para responder às necessidades actuais”, exemplificou.

  
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