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Foto: Chaiwat Subprasom/Reuters
Os delegados de mais de 180 países estão reunidos há dez dias em Banguecoque

Emissões mundiais de CO2 deverão cair três por cento este ano por causa da crise
06.10.2009
PÚBLICO, Agências

A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que este ano as emissões mundiais de dióxido de carbono (CO2) deverão cair três por cento por causa da crise económica.

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“Isto dá-nos uma hipótese de fazermos verdadeiros progressos em direcção a um futuro de energias limpas. Mas só se as políticas certas forem aplicadas atempadamente”, comentou Nobuo Tanaka, director-executivo da agência, em comunicado. A estimativa faz parte do relatório anual da AIE World Energy Outlook, cujo excerto foi apresentado hoje em Banguecoque, na conferência climática que decorre até 9 de Outubro. O documento será publicado a 10 de Novembro.

Esta redução será a maior jamais registada nos últimos 40 anos, precisou o economista-chefe da AIE, Fatih Birol, em conferência de imprensa. Até agora, a evolução das emissões mundiais era de mais três por cento ao ano, em média.

Segundo a AIE, esta diminuição poderá fazer com que as emissões em 2020 sejam cinco por cento mais baixas do que aquilo que a agência tinha estimado há um ano atrás.

Segundo Birol, esta inversão de tendência representa uma “janela de oportunidade única” para entrarmos num caminho que permita limitar o aumento do aquecimento global aos dois graus. Esta queda das emissões significa que “este ano é menos difícil atingirmos o objectivo das 450 ppm (partes por milhão) do que era o ano passado”, acrescentou. A agência acredita que será possível estabilizar as emissões nesse patamar.

Se quisermos limitar a 2 graus o aumento da temperatura média do planeta e evitar fenómenos climatéricos extremos e mais frequentes é preciso limitar a concentração dos gases com efeito de estufa na atmosfera nas 450 ppm de CO2 equivalente.

“Ao reduzir as emissões, a crise económica e financeira criou uma janela de oportunidade para a transição do sistema energético mundial. É uma oportunidade única mas temos de agir imediatamente”, comentou Yvo de Boer, o mais alto responsável pelo clima na ONU.

“Os investimentos que o mundo tem que fazer para mudar para uma economia de baixo carbono vão ser compensados e vão resultar em contas de energia mais baixas, menos poluição do ar e controlo das alterações climáticas”, considerou John Nordbo, da WWF (Fundo Mundial da Natureza), em Banguecoque.

A energia, que representa dois terços das emissões mundiais de gases com efeito de estufa, “está no coração do problema e deve estar no coração da solução”, salientou Tanaka. "Por esta razão, e depois de ter debatido a questão com os governos membros da AIE e com o secretariado da Convenção Quadro da ONU para as Alterações Climáticas, tomei a decisão inédita de apresentar hoje um excerto do nosso relatório anual, a tempo de poder dar um importante contributo para as negociações de Copenhaga", acrescentou.

Emissões dos países em desenvolvimento mais ricos devem atingir um pico em 2020

A AIE considerou também que as emissões de CO2 dos países em desenvolvimento mais ricos – incluindo a Rússia, China, Brasil e Médio Oriente – devem parar de aumentar até 2020 a fim de controlarmos as alterações climáticas.

Esta estimativa é bem mais ambiciosa do que os objectivos apresentados por economias emergentes como a China nas negociações da ONU para um sucessor do Protocolo de Quioto.

A China, o maior emissor de CO2 do planeta, acusou ontem os países ricos de “matarem” o Protocolo de Quioto ao proporem, em Banguecoque, estratégias mais flexíveis para reduzir as suas próprias emissões.

O relatório anual da agência reconhece que é preciso que as emissões de CO2 mundiais, originadas pela queima dos combustíveis fósseis, deixem de aumentar antes de 2020.

Com este cenário, a AIE afirma que as emissões dos países ricos devem cair de forma contínua dos níveis de 2007. As outras grandes economias – como o Brasil, China, Médio Oriente, Rússia e África do Sul – deverão suspender o aumento das suas emissões em 2020.

Os delegados de mais de 180 países estão reunidos há dez dias em Banguecoque para preparar o texto sucessor do Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

Notícia alterada às 12h06

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