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Foto: Paulo Ricca
Fogos este ano ainda estão dentro da meta prevista em plano nacional

Área ardida em 2009 já supera a dos últimos três anos
02.10.2009
Lusa, PÚBLICO

Os fogos florestais ocorridos até ao final de Setembro em Portugal colocam já este ano como o pior desde 2005. Dados ontem avançados pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) indicam que a área ardida chega já a cerca 77 mil hectares, contra pouco mais de 75 mil em 2006, 31 mil em 2007 e 17 mil em 2008.

O último balanço da Autoridade Florestal Nacional, referente ao período de Janeiro a 15 de Setembro, colocava a área ardida em 58.612 hectares. Mas desde então, houve mais 3623 incêndios florestais, segundo a base de dados online da ANPC. Agora, o área ardida chega a 77.131 hectares.

Este valor ainda está abaixo da meta fixada pelo Governo no Plano Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios – a de não ultrapassar 100.000 hectares por ano. Mas o Outono nem sempre é um mês tranquilo. Em 2007, arderam 12.460 hectares de matos e povoamentos florestais a partir de Outubro – a maior parte em Novembro.

O comandante operacional da ANPC, Gil Martins, disse ontem que 40 por cento dos fogos deste ano começaram durante a noite, o que sugere causas humanas. “Houve um aumento significativo do número de incêndios à noite”, disse Gil Martins, numa conferência de imprensa, citado pela agência Lusa.

Na contabilidade deste ano, quase 70 por cento de todos os incêndios tiveram origem humana, 30 por cento deveram-se a causas indeterminadas e um por cento, a causas naturais. De acordo com Mourato Cabrita, segundo comandante-geral da GNR, o número de fogos criminosos “mais do que duplicou”. Também houve um aumento no número de contra-ordenações.

“As câmaras deviam exercer mais a sua capacidade coerciva sobre os cidadãos e exercer uma acção repressiva em caso de não cumprimento da lei”, disse Mourato Cabrita, dado o exemplo da limpeza das matas.

A maior parte da área ardida este ano (72 por cento) refere-se a matos, o que significa um menor impacto sobre a floresta propriamente dita.

Os meios aéreos fizeram mais 50 por cento de horas de voo do que em 2008 (6.230 face a 4.091) e descarregaram 66 milhões de litros de água para apagar os fogos, o equivalente a 40 piscinas olímpicas.

O comandante Gil Martins considerou, no entanto, que 2008 e 2007 foram “anos muito bons, mas não eram consolidados”, e salientou que o valor deste ano (até 30 de Setembro) está ainda abaixo da meta de 100 mil hectares de área ardida anual.

O responsável da Protecção Civil lembrou também que “não é possível alterar os comportamentos” de repente.

“Se tivessemos tido o mesmo número de ocorrências provavelmente teríamos a mesma área ardida. O dispositivo [de combate a incêndios] não tem sucesso se não tiver a colaboração de toda a gente”, frisou.

  
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