Nunca o controlo da água de consumo humano em Portugal foi tão completo como em 2008. Mas ainda assim há uma reduzida franja da população que continua a beber água de má qualidade, segundo dados agora divulgados pelo Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR).
No seu relatório anual sobre a qualidade da água para consumo humano, o IRAR conclui que a água que chega à torneira dos portugueses foi submetida a quase todos os controlos legais que as câmaras e sistemas de abastecimento público têm de fazer. O número de análises realizadas chegou a 99,3 por cento do que era obrigatório – a maior taxa de sempre. E, pela primeira vez, todos os sistemas de abastecimentos submeteram ao IRAR os planos de controlo da qualidade da água, previstos na legislação nacional e comunitária.
“Da análise destes dados, é possível concluir que o país atingiu a melhor situação de sempre em termos do controlo da qualidade da água para consumo humano, confirmando a tendência de melhoria dos últimos anos”, diz o relatório do IRAR.
A qualidade em si da água também apresentou uma melhoria global, embora ligeira. De um total de cerca de 530 mil análises laboratoriais realizadas, 97,6 por cento indicavam que a água cumpria com os limites legais de poluição. No ano passado, a taxa de cumprimento estava duas décimas abaixo, em 97,4 por cento.
Desde 2000 que a taxa de cumprimento oscila em torno destes valores. As análises que apresentam problemas normalmente referem-se a pequenas sistemas de abastecimento, de concelhos do interior do país, com captação de água a partir de vários furos.
Mesmo com as melhorias apresentadas, na prática milhares de portugueses continuam a beber água de má qualidade. Cálculos feitos pelo PÚBLICO a partir dos dados do IRAR indicam que 11.049 portugueses foram abastecidos por sistemas cuja água revelou a existência da bactéria E.Coli – causadora de problemas gastro-intestinais – em todas as análises realizadas em 2008. Para o mesmo parâmetro micro-biológico, os sistemas que acusaram a E.Coli em 50 por cento das análises serviram 29.265 pessoas. Para uma taxa de 10 por cento de análises positivas, a população exposta foi de 168.736 pessoas.
O relatório e os dados do IRAR estão no sítio desse instituto na Internet desde quarta-feira, dia 30 de Setembro, como manda a lei. Mas a sua publicitação foi adiada até hoje, para coincidir com uma conferência de imprensa do ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia.