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Foto: Nelson Garrido
No ano passado, arderam 17.244 hectares em Portugal

Ardeu mais área florestal na Europa este ano que em 2008
10.08.2009
Lusa

A área florestal ardida na União Europeia desde o início do ano já ultrapassou em 20 mil hectares a devastada pelas chamas em 2008. Segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS, na sigla em inglês), no ano passado perderam-se 180 mil hectares de área florestal, contra 200 mil este ano, sendo que Espanha e Itália foram os países mais atingidos, situação que o EFFIS explica com as condições climáticas extremas registadas na segunda quinzena de Julho.

O relatório de Bruxelas indica que além de Espanha e Itália, também França e, "em menor medida", Grécia e Portugal sofreram danos significativos.

De acordo com o EFFIS, a contribuir para o aumento da área ardida já este ano estiveram "vários episódios pouco habituais" de incêndios em Portugal e no Noroeste da Espanha registados em Março, onde o clima seco e os fortes ventos contribuíram para que ardesse uma área estimada em cerca de 25 mil hectares.

Durante os próximos dias, o risco de incêndio manter-se-á "elevado" em muitas zonas mediterrânicas e poderá resultar localmente em condições extremas, mas sem atingir os níveis de alerta do fim de Julho, prevê o EFFIS.

O organismo europeu também publicou hoje o relatório "Incêndios Florestais na Europa 2008" que dá uma panorâmica global dos riscos de incêndio florestal e do impacto dos fogos no ano passado.

Em 2008, foi cartografado um total de 158.621 hectares ardidos, em comparação com uma média anual de 483.896 hectares. A área ardida e os danos associados foram os mais fracos registados desde 1980 no Sul da Europa. As condições meteorológicas "favoráveis" do ano passado conduziram a menores níveis de perigo de incêndio na orla mediterrânica, com algumas excepções registadas na região Sudeste.

Entre os cinco países mais afectados pelos incêndios, 2008 foi "particularmente positivo" para Portugal, Espanha e França e "um pouco menos" para Itália e Grécia. Em Portugal, arderam 17.244 hectares, o que correspondeu a 11 por cento da área total desses cinco países e a uma redução de 45 por cento em relação ao ano anterior. Trata-se da menor área ardida dos últimos 30 anos, com um pico de 425.726 hectares registado em 2003.

Ainda no ano passado, também se registou em Portugal uma diminuição de 26 por cento do número de ocorrências – 13.832 fogos no total, tendo 81,5 por cento deles queimado áreas inferiores a um hectare.

O EFFIS também assinala que Portugal teve no ano passado a maior frota de aviões (56) dedicada à luta contra os incêndios florestais não tendo requerido assistência do mecanismo de protecção civil europeu. Por outro lado, registaram-se em Portugal três mortes relacionados com os incêndios florestais. Assim, Bruxelas conclui que Portugal "não foi afectado severamente" pelos fogos florestais em 2008.

O sistema EFFIS foi instituído pelo Centro Comum de Investigação e pela Direcção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia e fornece alertas diários de risco de incêndio, bem como avaliações de danos em apoio aos serviços de combate aos incêndios dos Estados-membros da União Europeia, aos serviços da Comissão Europeia e a outras organizações neste domínio.

  
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