A formação da carapaça das tartarugas tem os contornos de um mistério biológico. Mas um artigo publicado na "Science" comparou o desenvolvimento do embrião de uma espécie de tartaruga com o da galinha e o do ratinho, verificando diferenças na forma como a estrutura óssea e muscular se desenvolvem, e fazendo a ponte com o que se conhece da paleontologia destes répteis.
O fóssil mais antigo do grupo das tartarugas tem 220 milhões de anos. A Odontochelys semitestacea foi encontrada na China e viveu na mesma altura dos primeiros dinossauros, durante o Triássico. Apesar de o antigo réptil só ter a parte superior da carapaça, o formato das costelas já era igual ao das tartarugas modernas, percorrendo só a parte dorsal do corpo. O resto dos répteis, as aves e os mamíferos têm as costelas a circular totalmente os órgãos do corpo – como qualquer pessoa pode verificar.
O estudo dos investigadores japoneses da Universidade de Kobe seguiu o desenvolvimento nos primeiros estádios do embrião da tartaruga e mostrou que as costelas durante estas fases crescem em direcção à fronteira lateral que separa a parte superior e inferior da carapaça, apesar de não descobrirem que tecidos enviam as ordens para este crescimento peculiar. O artigo também mostra que o osso das tartarugas equivalente à nossa omoplata, introduz-se por dentro das costelas – algo que não se verifica em mais animal nenhum. A musculatura desta região também acompanha o desenvolvimento dos ossos, acabando por fazer uma dobra característica destes répteis.
Os autores defendem que a maravilha biológica que é a carapaça das tartarugas não assenta tanto numa mudança das ligações entre estes músculos e ossos, mas na disposição das estruturas. Há, no entanto, outros músculos que se recriam para produzir a carapaça. Quanto à genética que está por trás, ainda se sabe pouco.