Construir com materiais tradicionais, como a taipa, em detrimento de materiais importados e manufacturados traz benefícios energéticos e ambientais, defendeu ontem a arquitecta Inês Fonseca, durante um seminário realizado em Avis.
A arquitecta, que trabalha no município local, realçou as vantagens de utilizar a taipa com terra obtida no próprio local da construção.
Segundo Inês Fonseca, que foi uma das oradoras do seminário "Tradição e Inovação/ Arquitectura e Ambiente", o recurso à taipa permite reduzir "significativamente" a componente energética incorporada à estrutura construída, com menos poluição da água e do ar, assim como despesas com o transporte dos materiais.
Autora da obra "Arquitectura de Terra em Avis", a arquitecta mostrou ainda alguns exemplos de construção com aquela técnica tradicional, como o Taipal da Chamusca e a Taipa da Aldeia Velha, frisando que "a passagem do tempo faz com que a taipa se torne mais forte e resistente, em vez de desagregar".
O presidente do município, Manuel Coelho, aproveitou para garantir que é possível aliar tradição e inovação na arquitectura, justificando a realização do encontro com a "crescente importância destas temáticas na vida quotidiana".
O seminário, que decorreu ao longo do dia, foi organizado pela Câmara Municipal de Avis, em parceria com a Delegação de Portalegre da Ordem dos Arquitectos. A eficiência energética nos edifícios, o saneamento seco e o papel da compostagem no tratamento de resíduos biológicos foram outros dos temas abordados na iniciativa.