A contaminação luminosa impede 99 por cento dos europeus de ver a via láctea a partir dos seus lares, revelaram hoje vários cientistas em Sevilha, quando apresentaram a iniciativa Starlight que pretende combater este problema.
A ideia, impulsionada pelo Instituto Astrofísico das Canárias (Espanha) foi apresentada durante a 33ª reunião do Comité do Património Mundial da UNESCO, que está a decorrer na cidade espanhola. Com Starlight os cientistas querem um uso racional de energia e mais eficiência nos sistemas de iluminação artificial.
A organização pretende que a iniciativa se alargue a nível internacional, especialmente a espaços naturais protegidos, podendo dar certificados que confirmem estar livres desta contaminação.
O problema ambiental da poluição luminosa deve-se à dispersão de luz na atmosfera durante a noite. A sua causa principal é a perda de quase 40 por cento de toda a luz artificial gerada na terra que, pela forma como está colocada, deixa escapar o fluxo de luz muito além da área a ser iluminada.
Esse brilho nocturno acaba por ser prejudicial para o ambiente, consumindo mais energia do que é necessário e impedindo a visão dos objectos na via láctea, nomeadamente as estrelas. Juan José Negro, investigador da Estação Biológica de Doñana (CSIC) explicou em Sevilha que o "impacto negativo" da poluição luminosa é já conhecido, tanto pelo seu impacte na actividade científica, nomeadamente a astronomia, como pelo seu impacto na biodiversidade.
Referindo que se estão a perder estudos importantes do céu devido à poluição luminosa, Negro insiste ainda que a poluição luminosa afecta aves migratórias e espécies nocturnas. Ao mesmo tempo, sublinhou, está igualmente a perder-se o hábito social e cultural de "olhar os céus", algo que sempre foi "uma fonte ancestral de inspiração, de cultura e de ciência".