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Foto: Jonathan Ernst/Reuters
Obama terá ainda de lidar com uma sociedade pouco preocupada com os problemas do clima

Soromenho-Marques considera Obama o melhor Presidente que o Ambiente poderia ter na Casa Branca
29.04.2009
Helena Geraldes

Cem dias de administração Obama não permitem falar de vitórias ambientais mas tão-somente de sinais de mudança. Ainda há muito por responder: qual o lugar da dimensão ambiental no plano de recuperação económica e qual o alcance das propostas da Casa Branca para a conferência de Copenhaga. No entanto, Viriato Soromenho-Marques não hesita em considerar Barack Obama “o melhor Presidente que podíamos ter hoje nos Estados Unidos”.

Apesar de ter conseguido a “proeza” de ter “mudado a imagem da América no mundo”, o grande teste de Obama “ainda está para vir”, comentou hoje o coordenador científico do Programa Gulbenkian Ambiente ao PÚBLICO.

“Ainda não sabemos qual o destaque que será dado à dimensão ambiental no plano de recuperação económica” apresentado pelo Presidente norte-americano. Até ao momento, a preocupação de Obama foi “atacar a crise financeira e tentar impedir o colapso do sistema financeiro”, comentou o conselheiro de Durão Barroso para a Energia e Alterações Climáticas.

Viriato Soromenho-Marques sublinhou que, apesar dos investimentos previstos para a eficiência energética e tecnologias limpas, há outros países com planos de recuperação mais ambiciosos do que os Estados Unidos. “O campeão do investimento ‘verde’ é a Coreia do Sul, com 80 por cento do orçamento dedicado à criação de emprego na área ambiental e social”. Outro país com maior ambição é a China, cujo “pacote tem uma componente ambiental mais forte do que o dos Estados Unidos”. Ou até do que “qualquer país europeu”.

O grande teste de Obama será o pacote de propostas que irá apresentar em Copenhaga, na conferência das Nações Unidas marcada para Dezembro, de onde deverá sair um acordo climático internacional que substitua o Protocolo de Quioto, que expira em 2012. “No debate interno, no Congresso, a expectativa não é muito grande”, considera Soromenho-Marques, lembrando que a meta norte-americana de redução das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) – chegar a 2020 a níveis de 1990 – “fica aquém do necessário”.

No entanto, esta posição já rompeu com a administração anterior que se recusou ratificar Quioto e rejeitou qualquer redução das emissões.

Obama terá ainda de lidar com uma sociedade pouco preocupada com os problemas do clima. “Apenas 19 por cento dos cidadãos considera as alterações climáticas uma grande ameaça”, notou Soromenho-Marques.

Apesar de todas as dificuldades, Obama “é o melhor Presidente que podíamos ter hoje nos Estados Unidos. É preciso dar sinais e ele está a fazê-lo, está a exercer a sua pedagogia”.

O “curriculum ambiental” que Obama construiu durante estes 100 dias fica marcado pela aprovação de limites para as emissões dos automóveis, os níveis históricos de “investimento verde” previstos no plano de recuperação económica, a criação de áreas protegidas em nove estados, o desejo de liderar as negociações climáticas ao promover o Fórum das Grandes Economias para a Energia e Clima (27 e 28 de Abril, em Washington). E a criação da primeira horta biológica na Casa Branca desde a Segunda Guerra Mundial.

  
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