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Foto: David Gray/Reuters
Episódios de seca têm causado o aumento das pessoas com fome

Desastres climáticos vão afectar 375 milhões de pessoas por ano em 2015
21.04.2009
PÚBLICO

As organizações humanitárias internacionais poderão ficar sem capacidade de resposta em 2015, quando o número de pessoas afectadas anualmente por catástrofes naturais relacionadas com as alterações climáticas aumentar 54 por cento para os 375 milhões, alertou hoje a associação Oxfam.

No relatório “O Direito à Sobrevivência” (“The Right to Survive”), a Oxfam explica este aumento pela combinação da pobreza com a migração para bairros densamente povoados, situação que poderá agravar os impactos dos desastres climáticos. A acrescentar, lembra a Oxfam, há o fracasso político para responder a estes riscos e um sistema de ajuda humanitária que ainda não está adaptado.

A associação baseou-se nos dados de 6500 desastres climáticos desde 1980, reunidos pela Universidade de Louvain, na Bélgica, para estimar o número de pessoas afectadas. Concluiu que, todos os anos, 375 milhões de pessoas sofrerão com os fenómenos climáticos; hoje esse número é de 133 milhões. Estes valores deixam de fora as vítimas de outros desastres, como guerras, sismos e erupções vulcânicas.

“O mundo deve aumentar a ajuda financeira humanitária dos 14,2 mil milhões de dólares (10,9 mil milhões de euros) de 2006 para, pelo menos, 25 mil milhões (19,2 mil milhões de euros) por ano”, pede a Oxfam. “Este aumento, o equivalente a 50 dólares (38,5 euros) por pessoa afectada, continua a ser insuficiente para responder às necessidades básicas”, nota a associação em comunicado.

A Oxfam apela aos países desenvolvidos para “se comprometerem já com a redução das emissões de gases com efeito de estufa para manter o aquecimento global abaixo do aumento dos 2ºC” e com a ajuda aos mais pobres a “fim de que se consigam adaptar às alterações climáticas inevitáveis”.

“Neste cenário de alterações climáticas, é a pobreza e a indiferença política que tornam uma tempestade numa catástrofe”, comentou Jeremy Hobbs, director-executivo da Oxfam Internacional.

“As alterações climáticas já estão a ameaçar o nosso trabalho para combater a pobreza, aumentando a pressão numa missão já de si difícil para levar ajuda a milhões de pessoas”.

Cada vez mais pessoas vivem em bairros urbanos construídos em zonas instáveis e secas, densidade populacional e aumento da procura de alimentos fez aumentar o número de pessoas com fome. Muitos outros são forçados a abandonar as suas casas para escapar às alterações climáticas, degradação ambiental e conflitos.

No entanto, há casos que servem de exemplo. Cuba, Moçambique e Bangladesh investiram em medidas de prevenção e protecção das populações em relação às tempestades.

A Oxfam afirma estar já a mudar a forma como responde às emergências, ajudando a reduzir a vulnerabilidade dos mais pobres.

  
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