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Foto: NRETAS
Na expedição foram identificadas dez espécies de cetáceos

Timor-Leste: expedição descobre uma das maiores concentrações de baleias e golfinhos do planeta
03.01.2009
Helena Geraldes

Depois de seis meses a sobrevoar as águas ao largo de Timor-Leste, à procura de cetáceos, tartarugas, tubarões, raias e crocodilos, sete investigadores subiram a bordo do navio oceanográfico “Timor Tiger” e o que descobriram deixou-os maravilhados. Colados aos binóculos, estes cientistas dizem ter encontrado uma das maiores concentrações de baleias e golfinhos do planeta. Um verdadeiro “hot spot” de biodiversidade.

Em apenas um dia de observações foram registados mais de mil animais em oito grupos separados, numa faixa com 50 quilómetros de extensão. “Esta é uma das zonas mais abundantes em cetáceos alguma vez encontrada”, comentou Karen Edyvane, cientista do australiano NRETAS (Department of Natural Resources, Environment, The Arts and Sport).

“Os golfinhos e baleias estavam, literalmente, a saltar na água por todo o lado à nossa volta. Era difícil decidir que animal fotografar”, contou José Monteiro, biólogo timorense.

A bordo do “Timor Tiger”, navio de madeira tradicional indonésio com 20 metros e o primeiro a ser registado naquele país para a investigação científica oceanográfica, foram identificadas dez espécies de cetáceos, entre elas a baleia-azul, baleia-bicuda, baleia-piloto-de-aleta-curta, golfinho-de-risso e o golfinho-comum.

“O ‘Timor Tiger’ é um excelente navio para observar cetáceos. Tem vários níveis e plataformas que permitiram aos observadores encontrar animais a grandes distâncias”, comentou Edyvane.

Em dias com boas condições climatéricas foram observados grupos com cerca de 400 indivíduos, salientou a bióloga australiana. “Ficámos todos maravilhados com tanta abundância, diversidade e densidade de cetáceos”.

A expedição, que foi o primeiro grande estudo de cetáceos em Timor-Leste, veio confirmar aquilo que os biólogos marinhos apenas suspeitavam: as águas profundas dos estreitos de Wetar e Ombai, ao largo de Timor - que podem ter até três mil metros de profundidade -, são uma importante rota migratória e corredor para a vida marinha, ligando os oceanos Pacífico e Índico.

“É vital que Timor-Leste continue o seu trabalho de investigação científica para saber mais sobre estas magníficas criaturas e garantir que estas populações de cetáceos sejam devidamente protegidas”, considerou José Monteiro.

A expedição, coordenada por Mark Meekan, do Instituto australiano para a Ciência Marinha, foi financiada pelo Ministério timorense da Agricultura e das Pescas, no âmbito de um projecto sobre conservação costeira e marinha. O objectivo é desenvolver actividades marinhas sustentáveis e promover o emprego e o desenvolvimento económico.

Mas esta descoberta, além de ser benéfica para Timor-Leste, representa muitos desafios. “O Governo de Timor-Leste reconhece o enorme potencial para o ecoturismo ao longo da sua costa e vai agir com cautela no desenvolvimento dessa indústria”, garantiu Celestino Barreto de Cunha, director das Pescas no Ministério das Agricultura e Pescas. “Estamos comprometidos em garantir a protecção desta biodiversidade marinha e vamos continuar a procurar aconselhamento científico da Austrália sobre o desenvolvimento sustentável da indústria do ecoturismo”, acrescentou.

  
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