A selecção sexual é importante no surgimento de novas espécies mas não é determinante. Esta é uma conclusão que se aplica, pelo menos, aos pintassilgos de acordo com um estudo de investigadores portugueses divulgado na revista Evolution.
O grupo de cientistas da Universidade de Coimbra (UC) estudou pintassilgos de todo o mundo (há cerca de 30 espécies no planeta, das quais cinco vivem em Portugal) e percebeu que, ao contrário do que se pensava, as cores intensas dos pintassilgos machos não são determinantes na escolha de parceiro e, assim, no surgimento de novas espécies. Sobressai assim a importância da selecção natural que se baseia no acumular de diferenças entre populações que vivem em locais distintos.
Os investigadores recorreram a modelos matemáticos e apoiaram-se ainda na espectrofotometria (método usado nas investigações biológicas, nomeadamente na medição da cor). “Percebemos que a selecção sexual é importante mas não foi o motor de formação de novas espécies, foi a selecção natural”, disse Paulo Gama Mota, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, que liderou o estudo desenvolvido no último ano com o Instituto do Mar de Coimbra. E agora? “Vamos aplicar exactamente o mesmo método a um grupo diferente”, diz. Os animais que se seguem são os canários.