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Foto: João Henriques (arquivo)
O engenheiro responsável pela exploração classificou a manifestação de "encenação teatral"

Monforte: manifestação junta 50 activistas contra ensaios com milho geneticamente modificado
12.07.2008
Lusa

Meia centena de activistas e dirigentes da Plataforma Transgénicos Fora manifestaram-se hoje, de forma pacífica, junto a uma herdade de Monforte, no distrito de Portalegre, em protesto contra os ensaios com milho geneticamente modificado autorizados naquela exploração, inserida em Rede Natura.

Na acção de protesto, que terminou ao início da tarde, os activistas e dirigentes ambientais percorreram a pé cerca de três quilómetros, entre a praia fluvial de Monforte, onde se concentraram, e a entrada para a herdade, animados com tambores, gritando palavras de ordem, e empunhando cartazes.

Os participantes, com a ajuda de uma “brigada de biossegurança”, composta por “50 espantalhos”, a figura tradicional que protege os campos, exigiram o cancelamento da autorização para os ensaios com milho geneticamente modificado, não apenas para a herdade em Monforte, mas também para uma exploração no concelho de Ferreira do Alentejo (Beja).

Sempre com a GNR por perto, mas sem que tivesse ocorrido qualquer incidente, os ambientalistas gritavam, entre outras palavras de ordem, “Não, não, não à contaminação”, “O montado vai ficar contaminado” e “Não, não, não à agricultura do cifrão”.

Ambientalista quer cancelamento de ensaios

Margarida Silva, bióloga, coordenadora da Plataforma Transgénicos Fora, disse aos jornalistas que a herdade de Monforte “está numa zona protegida, que pertence à Rede Natura 2000 europeia”. Mas apesar disso, adiantou, “o Governo optou por autorizar, face à pressão de duas empresas, ensaios de milho geneticamente modificado, que não está testado e sobre o qual não existe qualquer garantia de segurança, que possa impedir a contaminação”.

A plataforma pede um cancelamento da licença, sustentando que “não existem, neste momento, condições em Portugal para cultivar milho geneticamente modificado em segurança”.

Por seu turno, José Maria Falcão, engenheiro agrónomo e responsável pela exploração onde estão a decorrer os ensaios com milho geneticamente modificado, classificou a manifestação como “uma encenação teatral”. O responsável sublinha que o futuro da agricultura passa pela adopção de práticas que “preservem o ambiente, mas utilizando a investigação”.

Autarquia contra ensaios

O Ministério do Ambiente autorizou, recentemente, a realização de ensaios experimentais nos dois concelhos alentejanos, solicitados pelas empresas Pioneer e Syngenta, com duas variedades de milho geneticamente modificado (dos tipos 98140 e GA21). A autorização concedida através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) não satisfaz os ambientalistas, que dizem não terem ainda sido suficientemente estudados as consequências dos OGM para a saúde humana e o ambiente.

Em Fevereiro, a Assembleia Municipal de Monforte decidiu, por unanimidade que todo o território do município deveria ser uma “Zona Livre de Cultivo de Variedades Geneticamente Modificadas”, no seguimento de uma proposta anteriormente aprovada pela câmara municipal.

Ainda assim, o presidente da autarquia local, Rui Maia da Silva, anunciou ontem que não iria participar na manifestação, sustentando que o município “tem as suas próprias iniciativas sobre esta matéria”. “Vamos promover um debate no dia 25 de Julho para analisar os prós e contras desta situação”, explicou.

  
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