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Foto: Australian Research Council/Reuters
O novo recife de coral tem menos 42 espécies do que o recife existente antes dos ensaios nucleares

Investigadores comprovaram a existência de corais no Atol de Bikini, no Pacífico
15.04.2008
Reuters

Os corais voltaram à cratera do Atol de Bikini, no arquipélago das Ilhas Marshall no Pacífico. A informação foi avançada por biólogos marinhos que visitaram a cratera formada após a explosão da maior bomba nuclear lançada pelos Estados Unidos da América, a 1 de Março de 1954.

Uma equipa de investigadores mergulhou na cratera Bravo para saber o que estava a ocorrer 54 anos depois da explosão. “Não sabia o que esperar”, disse Zoe Richards, da Universidade de James Cook da Austrália, “talvez algum tipo de paisagem lunar, mas foi incrível”. A equipa composta por cientistas vindos da Alemanha, Itália, Havai, Austrália e as Ilhas Marshall acabaram por encontrar grandes números de peixes e corais a crescer.

“Vimos comunidades que não eram muito diferentes de qualquer outro recife de coral, com bastantes peixes e corais”, descreveu a cientista. “Algumas das colónias individuais eram surpreendentes”. Apesar disso, comparado com estudos feitos antes dos ensaios atómicos, 42 espécies não foram encontradas, 28 das quais estão localmente extintas.

A bomba de hidrogénio que vaporizou a região tinha uma potência destrutiva de 15 mega toneladas, mil vezes mais poderosa do que a de Hiroshima. O projecto, chamado “Castle Bravo”, provocou um efeito maior do que os cientistas esperavam. As ilhas que estavam à volta receberam uma onda de calor com 55 mil graus célsius, a explosão fez tremer ilhas a 200 quilómetros de distância. A nuvem em forma de cogumelo que se formou alcançou uma altitude de 100 quilómetros e a radioactividade da bomba atingiu a Austrália e o Japão.


Meio século de paz
A experiência matou a fauna e flora do mar que existia no local, formando uma cratera com dois quilómetros de diâmetro e 73 metros de profundidade. Entre 1946 e 1958 o Atol recebeu 23 testes, a quantidade de radiação libertada tornou o local impossível para as comunidades das ilhas viverem durante décadas. Mas no mar, espécies vindas das vizinhanças arrastadas por correntes marinhas acabaram por vingar e cresceram ali sem qualquer perturbação humana.

Segundo Richards, a equipa encontrou corais com oito metros de altura e com troncos com 30 centímetros de espessura: “Foi fascinante”, disse a investigadora. “Nunca vi corais que crescessem como árvores, fora das Ilhas Marshall”.

A equipa foi chamada pelas autoridades do arquipélago para investigar a cratera pela primeira vez desde os testes. O objectivo era verificar se seria possível expandir ali uma pequena indústria de mergulho. O fundo à volta do atol está preenchido por navios que foram abandonados ao longo da Segunda Guerra Mundial e que se afundaram durante os ensaios nucleares.

Este novo recife teve 50 anos para crescer sem nenhum distúrbio. Richards alega que depois de um evento destrutivo com aquela magnitude, esta descoberta prova a capacidade de resistência destas espécies. Actualmente existe uma nova ameaça aos corais - o aquecimento global. “Está a decorrer uma luta. E sem descanso à vista”, diz a cientista.

  
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