As obras destinadas à conclusão da CRIL estão a estão a pôr em perigo árvores, ninhos e plantas na zona das Portas de Benfica. Um grupo de cidadãos auxiliado por ambientalistas está a tentar que as árvores sejam poupadas pelo menos até o período de nidificação terminar.
"Não podemos mexer nos ninhos antes disso, senão os progenitores abandonam os ovos", explica uma psicóloga do movimento cívico, Lanka Horstink. A ideia é salvar não só as aves como também parte das árvores e plantas que existem nas hortas urbanas da Estrada do Tojal, tranplantando-as para outros locais. Lanka Horstink diz que o movimento tem con-
tado com alguma boa vontade do empreiteiro encarregado da obra, que tem adiado o abate, mas que os trabalhos continuam a decorrer.
O movimento pediu às autoridades do ambiente que se deslocassem ao local, suspeitando de ilegalidades: "Segundo a lei portuguesa não se podem derrubar ninhos de espécie alguma durante a nidificação". O movimento lançou um apelo na Internet, pedindo ajuda quer nas matérias jurídicas, quer no que respeita à ornitologia e ao transplante de árvores.
Lanka Horstink indigna-se por a requalificação urbana em redor da CRIL prometida pelo primeiro-ministro José Sócrates não aproveitar as espécies vegetais existentes no terreno. E chama também a atenção para o desaparecimento das hortas urbanas com árvores de fruto, das quais "50 a 70 pessoas retiram o seu sustento ou nas quais ocupam os tempos livres".
A antiga Quinta das Pedralvas "foi doada à câmara para fins sociais há 30 anos", prossegue, para agora "a Câmara de Lisboa a entregar ou vender às Estradas de Portugal". O Departamento dos Espaços Verdes da autarquia está a estudar o problema, nomeadamente a possibilidade de instalar ninhos artificiais nas redondezas.