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Foto: PÚBLICO (Arquivo)
Entre as maiores dificuldades para os ciclistas está o mau estado dos pavimentos

Investigador diz que Lisboa é mais um grande planalto do que a cidade das sete colinas
16.03.2008
Lusa

O investigador Paulo Guerra dos Santos concluiu, passados 50 dias do projecto "100 dias de bicicleta em Lisboa" iniciado a 1 de Janeiro de 2008, que Lisboa "não é das sete colinas, mas sim um grande planalto".

Este engenheiro civil, projectista de vias de comunicação e transportes, pretende analisar através deste projecto o potencial ciclável de Lisboa a fim de apresentar soluções para tornar a bicicleta um meio de transporte mais eficiente e ecológico em articulação com os demais meios de transporte - o automóvel e os transportes públicos.

Após 50 dias, este investigador afirma que "mais de metade de Lisboa é quase plana e que é possível fazer da bicicleta o meio de transporte desta cidade", pois 67.4 por cento da cidade tem inclinações inferiores a dez por cento, o que representa "boas condições para pedalar diariamente".

Paulo Guerra dos Santos considera que as maiores dificuldades para os ciclistas lisboetas são os "pavimentos em mau estado, a desconfiança das pessoas, a ausência de locais para estacionar as bicicletas em segurança, o grande número de carros e o excesso de velocidade".

Contudo, mostra-se "surpreendido com a facilidade em circular de bicicleta na cidade de Lisboa" destacando que este meio de transporte para além de garantir uma deslocação "mais rápida, fácil e económica" contribui para um "maior bem-estar físico e psicológico" bem como para uma maior interacção social pois "conhecem-se pessoas novas, encontram-se os amigos com mais frequência e há uma maior oportunidade para parar e conversar".

"A bicicleta é motivo de conversa mesmo com estranhos, é um facilitador social". "É curioso como no início do projecto, não sabendo o que iria encontrar, tinha um pouco aquela ideia preconcebida de que era difícil deslocar-me pela cidade de bicicleta. Cada vez que dou ao pedal, descubro exactamente o contrário. Uma cidade lindíssima, com óptimas condições climatéricas e com gente fabulosa, que afinal apenas aguarda há séculos que a tratemos com a dignidade que esta senhora de 2000 anos merece", explica.

Para este utilizador diário da bicicleta, este meio de transporte transmite um "sentimento de maior liberdade nas deslocações e na vivência da cidade" permite "olhar para a cidade com outros olhos, estar mais atento e civicamente activo".

A 50 dias do final do projecto, Paulo Guerra dos Santos "deseja que um maior número de pessoas façam da bicicleta o seu meio de transporte diário e apela para que a autarquia concretize medidas sérias e eficazes para promover as deslocações de bicicleta pela cidade".

  
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