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Foto: Rui Gaudêncio (arquivo)

Quercus atribui cheias ao mau ordenamento do território
18.02.2008
Lusa

A associação ambientalista Quercus contestou hoje as declarações do ministro do Ambiente, Nunes Correia, que imputou responsabilidades às autarquias nas inundações e afirmou não se tratar de um problema de ordenamento do território.

"É errado dizer que o que passou não foi um problema do território, mas de falta de limpeza", disse à agência o vice-presidente da Quercus, Francisco Ferreira, que não tem dúvidas de que "aquilo que está na origem destas situações é um problema de ordenamento do território".

O ministro Francisco Nunes Correia responsabilizou hoje as autarquias pelas cheias e complicações no trânsito registadas na sequência das fortes chuvas, considerando que o ordenamento do território já não representa um sério problema em Portugal.

"Este é um aviso! Com aquilo que se prevê em termos de alterações climáticas, este é o clima que vamos ter cada vez mais com eventos meteorológicos de extremos: depois de um período prolongado sem precipitação, passamos a cheias", afirmou.

Para Francisco Ferreira, este é também um problema de manutenção, "mas acima de tudo de ordenamento do território e de muitos erros ao nível da prevenção de riscos de cheias, de erosão, de deslizamento de terras, ocupando zonas de declives elevados".

Estas cheias são "uma oportunidade de percebermos porque é que a Reserva Ecológica Nacional é tão importante em termos de preservação", defendeu o dirigente da Quercus. "É à custa de não termos uma estrutura de espaços verdes, de zonas que permitam a infiltração das águas nas cidades, a par de problemas de drenagem, que tivemos este episódio", acrescentou.

  
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