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Foto: Nelson Garrido/PÚBLICO
A taxa de escolarização bruta atinge os 89,8 por cento em Portugal

Portugal desce uma posição no índice de desenvolvimento humano da ONU
27.11.2007
Lusa, PUBLICO.PT

Portugal ocupa a 29ª posição no índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas com 177 países, registando a queda de uma posição em relação ao ano passado, segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), publicado hoje, que este ano é dedicado às Alterações Climáticas.

No relatório "Combater as Alterações Climáticas: solidariedade humana num mundo dividido", Portugal consegue 0,89 pontos num ranking que analisa dados relativos a 2005 em 177 países e regiões especiais e que é liderado pela Islândia com 0,96 pontos.

Entre os Estados membros da União Europeia, Portugal ocupa a 17ª posição no índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que avalia o estado do desenvolvimento através da esperança média de vida, da alfabetização dos adultos e da escolarização, bem como indicadores de rendimento.

Irlanda (5º), Grécia (24º), Eslovénia (27º) e Chipre (28º) são países da União Europeia à frente de Portugal, para além dos países nórdicos e das potências europeias Espanha, França, Alemanha, Itália e Reino Unido.

Atrás de Portugal, que integra a lista dos 70 países com desenvolvimento humano "elevado" contam-se estados-membros da UE como a Polónia, a Hungria ou a Bulgária e países do resto do mundo como os Emirados Árabes Unidos, México, Rússia ou Brasil (o último da lista dos países com desenvolvimento elevado).

A taxa de escolarização bruta combinada dos ensinos primário, secundário e superior atinge os 89,8 por cento em Portugal, que viu aumentar de 92 por cento em 2004 para 93,8 por cento em 2005 a taxa de alfabetização de adultos.

A esperança de vida em Portugal situava-se em 2005 nos 77,7 anos e o valor do Produto Interno Bruto era de 20.410 dólares anuais em PPC (paridade poder de compra) per capita.

Em termos gerais, a Islândia, com 0,96 pontos, ultrapassou a Noruega que foi número um no ranking nos últimos seis anos.

Vinte e dois países, todos da África Subsahariana, estão classificados na categoria de países com "desenvolvimento humano baixo", sendo que em dez destes países, duas em cada dez crianças não atingirão os 40 anos, revela o relatório.

Pelo contrário, entre os 20 países de topo da lista, apenas a Dinamarca e os Estados Unidos terão menos de 9 crianças em 10 a atingir a idade de 60.

Na maior parte dos países - incluindo a China, a Índia, e o Brasil - o IDH subiu nos últimos 30 anos, mas alguns países apresentam retrocessos neste âmbito.

Ao todo, 16 países têm hoje um IDH menor do que em 1990 e três destes países - a República Democrática do Congo, a Zâmbia, e o Zimbabué- têm um IDH mais baixo do que tinham em 1975.

Este ano não estão incluídos 17 Estados membros das Nações Unidas, entre os quais o Afeganistão, o Iraque e a Somália, devido à insuficiência de dados fidedignos.

PNUD quer redução de 80 por cento das emissões até 2050

Este ano, o PNUD quis dar uma mensagem "climática" através do seu relatório anual porque, como escreve, "as alterações climáticas são o desafio para o desenvolvimento humano no século XXI. Um fracasso em responder a esse desafio vai atrasar e até reverter os esforços internacionais para reduzir a pobreza".

O que este relatório quer dizer é que a escala dos impactos do sobre-aquecimento do planeta tem sido "muito substimada". Apesar disso, os efeitos já são bem vísíveis. A lista do PNUD passa por secas mais frequentes e mais longas, inundações, tempestades mais graves, degelo dos glaciares e alterações nos padrões de precipitação.

Para atacar o problema das alterações climáticas, o relatório pede "aos países desenvolvidos para demonstrarem a sua liderança ao reduzirem as suas emissões de gases com efeito de estufa em, pelo menos, 80 por cento, a níveis de 1990, até 2050 e em 30 por cento até 2020".

Segundo o PNUD, os "países ricos devem adoptar reduções obrigatórias das emissões para estabilizar o CO2 (dióxido de carbono) durante 2012-2050. É irrealista esperar que os países em desenvolvimento façam o mesmo".

A luta contra o sobre-aquecimento global poderá custar, por ano, 1,6 por cento do PIB mundial, até 2030, estima o relatório.

"Este relatório é um apelo à acção, não um consolo para o desespero. As alterações climáticas são inevitáveis, mas apenas se não agirmos já e de forma concertada", escreve o documento.

  
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