As consequências das alterações climáticas arriscam-se a ser “irreversíveis”, alertam os delegados do IPCC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) que adoptaram hoje em Valência, Espanha, a síntese do seu relatório que se destina aos dirigentes do planeta.
“As alterações climáticas de origem humana e as suas consequências poderão ser súbitas ou irreversíveis”, indica o texto do “resumo para os decisores” que os delegados do IPCC, de 130 países, adoptaram esta manhã no final de uma noite de discussões. O documento será oficialmente aprovado amanhã em sessão plenária.
Esta frase foi alvo de intensas discussões. Alguns países, como os Estados, consideravam que a expressão "irreversível" não corresponde a nenhuma definição científica, segundo um participante. Outros, nomeadamente os europeus, insistiram para manter a palavra porque traduz a realidade.
A delegação norte-americana também combateu, em vão, uma frase indicando que "todos os países" serão afectados pelos impactos das alterações climáticas.
Os cientistas do IPCC, reunidos desde segunda-feira em Valência, sob égide da ONU, chegaram a acordo sobre um resumo de 20 páginas que deverá ser a base da resposta futura às alterações climáticas.
A próxima ronda de negociações no âmbito da ONU está marcada para o início de Dezembro em Bali, Indonésia. Trata-se de dar seguimento ao Protocolo de Quioto, que expira em 2012.
O senador norte-americano John Kerry, democrata, comentou que “a resposta política precisa de estar baseada naquilo que a Ciência nos diz”.
Ontem, a organização ecologista WWF, na voz de Stephan Singer, lamentou o bloqueio que os Governos contrários à obrigação de redução das emissões poluentes estão a fazer ao acordo científico sobre as alterações climáticas. Fonte anónima referiu os Estados Unidos, Rússia e Arábia Saudita.