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Foto: Rui Gaudêncio/PÚBLICO (arquivo)
O BE lembrou que Sócrates disse em 2001 que as pedreiras na Arrábida tinham de ser fortemente limitadas

PS justifica aumento da extracção na Arrábida com compromissos na privatização da Secil
27.09.2007
Lusa

O PS justificou hoje o aumento da cota de extracção da Secil nas pedreiras da Arrábida com a necessidade de respeitar compromissos do Governo aquando da privatização da empresa.

Em resposta a críticas levantadas pelo Bloco de Esquerda, o deputado socialista Alberto Antunes explicou que "aquando da privatização da Secil o Governo garantiu a extracção de 115 milhões de toneladas" das pedreiras da serra da Arrábida.

"Se não for possível aumentar a área de exploração tem de se encontrar uma solução que permita ao Estado manter-se como uma pessoa de bem. Ou o BE advoga o encerramento automático da Secil e está em condições de garantir emprego para os seus 800 trabalhadores?", questionou o deputado socialista.

Numa declaração política no plenário da Assembleia da República, a deputada do BE Alda Macedo retomou as críticas já lançadas pelo líder Francisco Louçã sobre a aprovação pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) do aumento da cota exploração da cimenteira nas pedreiras do Outão.

"Que seja o Ministério do Ambiente, através de um dos seus organismos pretensamente independentes, o promotor deste negócio que privilegia o bem privado em detrimento do público não deixa de ser sintomático sobre o entendimento que o Governo faz do seu papel", criticou.

A deputada do Bloco lembrou declarações do PS antigas nesta matéria, nomeadamente do actual primeiro-ministro José Sócrates.

"Em 2001, o ministro do Ambiente deu uma entrevista à RTP dizendo que "as pedreiras na Arrábida têm de ser fortemente limitadas". O ministro dava pelo nome José Sócrates, cujo Governo agora permite alegremente que a Secil continue a laborar e a desventrar a Arrábida por mais um bom par de anos", criticou.

As críticas estenderam-se às restantes bancadas da oposição, com excepção do PSD, com um dos ataques mais fortes a vir do CDS-PP.

"Só o PS é que não quer perceber que esta decisão irá afectar toda a zona do parque natural da Arrábida e afectar gravemente a candidatura desta zona a património da Humanidade", criticou o deputado democrata-cristão Nuno Magalhães.

Heloísa Apolónia, pelo Partido Ecologista "Os Verdes", considerou a decisão do ICNB "verdadeiramente escandalosa", considerando que "Portugal não está em condições de degradar um património natural" com as características do parque natural da Arrábida.

Na mesma linha, o deputado do PCP Miguel Tiago acusou o Governo de continuar "uma política de venda a retalho dos recursos do país a retalho".

  
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