O presidente da Área Metropolitana do Algarve, Macário Correia, condenou hoje a destruição de um hectare de milho transgénico numa herdade em Silves. O secretário-geral do PSD pediu ainda esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna sobre a alegada passividade da GNR.
O incidente aconteceu ontem, na Herdade da Lameira — a primeira da região a dedicar-se ao cultivo de milho geneticamente modificado —, quando um grupo de activistas destruiu um hectare da cultura.
Macário Correia, que assumiu ter dúvidas em relação ao cultivo de Organismos Geneticamente Modificados (OGM), considerou "condenável" a atitude dos manifestantes do grupo Verde Eufémia em domínio privado.
"Não é aceitável que se destrua património particular de uma pessoa que não está a praticar nenhum acto ilegal", afirmou, acrescentando que o agricultor plantou o milho com o conhecimento dos serviços oficiais.
"O direito à manifestação deve ser feito, mas aqui houve manifestamente um excesso", sublinhou o responsável, observando que o direito à liberdade "não significa direito à destruição e ao vandalismo".
PSD pede esclarecimentos sobre passividade dos agentes da GNR
Já o secretário-geral do PSD, Miguel Macedo, disse hoje que o ministro da Administração Interna deve esclarecer publicamente a "atitude passiva" e "a complacência" dos agentes da GNR perante o caso de ontem.
Miguel Macedo disse estranhar que, passadas 24 horas, o Ministério da Administração Interna ainda não se tenha pronunciado sobre o caso.
Para o secretário-geral do PSD, o que se passou em Silves configura uma situação "muito grave", apesar da controvérsia científica em redor da questão dos OGM e das dúvidas que o seu cultivo suscita.
"Foi muito grave, tanto mais porque aconteceu perante a passividade e complacência da GNR, que assistiu à destruição impune de propriedade privada", disse Miguel Macedo.
O responsável sublinhou que não está em causa o direito à manifestação mas sim a violação da lei "nas barbas das autoridades".
A acção foi vigiada por uma patrulha da GNR, que não interveio directamente nem fez detenções, mas identificou os responsáveis pela acção. Como tal, reuniu os elementos necessários para a abertura de um inquérito, conforme já avançou a GNR de Portimão.