Dão música ao mundo muitas vezes embrulhada num contexto ambiental. Mas, quando toca a praticar a consciência ecológica que defendem muitos nada fazem. Os media britânicos e norte-americanos denunciam hoje o que é a contradição entre a mensagem e os actos das estrelas rock, após o concerto Live Earth, que ontem, por todo o mundo, através da música, fez passar a mensagem de que é preciso salvar o planeta.
Madonna, por exemplo, é responsável por uma quota de emissão de dióxido de carbono cem vezes superior à quota média deum cidadão britânico, denunciam vários jornais entre os quais o britânico "Guardian" que explica que o Live Earth produziu três mil vezes mais dióxido de carbono que a mesma média de cada cidadão do Reino Unido.
O tablóide "News of the World" vai mais longe e descreve que as nove casas, frota de carros e jacto privado de Madonna são "uma catástrofe ecológica".
O "Sunday Telegraph" insiste no exemplo Madonna e explora as ligações da estrela pop a empresas com currículo negro no que toca a poluição. Os representanets de Madonna defendem-se: "A sua participação no Live Earth é um passo em frente na aproximação que ela quer fazer à causa ambiental".
Segundo a organização, a audiência dos concertos verificada ontem, e contando com a Internet, pode ter atingido os dois milhões. O Washington Post diz que a associação entre o pop/rock e a causa ambientalista não casa muito bem, apesar dos artistas participantes terem apelado sempre a um comportamento mais ambiental. A mensagem mais realista foi transmitida em tom jocoso, pelo comediante Chris Rock: "Espero que este Live Earth acabe com o aquecimento global tal como o Live Aid acabou com a fome em África".
O Live Earth, uma iniciativa do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, juntou estrelas da música de todo o mundo em vários concertos que se realizaram ontem. Portugal juntou as suas estrelas no Pavilhão Atlântico, num cartaz onde brilharam, por exemplo, os Xutos e Pontapés.