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Foto: Pedro Cunha/PÚBLICO (arquivo)
A Quercus pede que seja reposta a vegetação daquele ecossistema

Arrasados quatro hectares de vegetação perto de falésia no sudoeste alentejano
06.04.2007
Helena Geraldes

Cerca de quatro hectares de vegetação e terrenos arenosos a escassos metros da falésia, entre as praias do Carvalhal e das Machadas, no Brejão, foram arrasados por ordens de um proprietário, denunciou hoje a Quercus. O Instituto da Conservação da Natureza (ICN) já iniciou um processo de contra-ordenação.

Estes quatro hectares fazem parte de uma área total de 40 hectares adquirida por um proprietário espanhol na área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

“Fomos alertados para a situação por um homem que tinha sido contratado para gradar as dunas. Ele achou estranho, uma vez que tinha ouvido dizer que não se deve andar por cima das dunas, quanto mais lavrar”, contou Dário Cardador, do núcleo regional da Quercus, ao PUBLICO.PT.

Um grupo de cidadãos mobilizou-se para fazer parar a intervenção.

De momento, retroescavadoras arrasaram toda a vegetação e árvores em quatro hectares, até ao mar. “Esta intervenção destruiu a barreira natural à erosão marítima. Só o tempo dirá se isto vai afectar, ou não, os campos agrícolas a montante”, acrescentou Dário Cardador.

Depois da visita dos elementos do Parque Natural e da Quercus, os trabalhos estão parados e as máquinas foram retiradas do local.

“Agora estamos a aguardar a resposta das entidades competentes”.

Aquilo que a Quercus defende é que “seja reposta a área com vegetação própria daquele ecossistema e que as despesas sejam imputadas ao prevaricador, para além da multa”.

ICN tem processo de contra-ordenação a decorrer

O Instituto de Conservação da Natureza (ICN) disse ao PUBLICO.PT que "já autuou o proprietário há mais de uma semana. Agora está a decorrer o processo de contra-ordenação".

Segundo a assessora de imprensa do ICN, está a ser mantida a vigilância no local, para evitar uma retoma das intervenções. Amanhã, elementos do parque farão uma nova visita ao terreno.

Sandra Moutinhou explicou que dentro do Perímetro de Rega do Mira, na área do Parque Natural, são permitidas intervenções e a exploração agrícola. Mas este caso ultrapassou esse perímetro e entrou numa área de dunas primárias. "Isso sim, é uma infracção".

  
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